NR-1: a diferença entre perigo e risco com a metáfora da onça
A metáfora da onça-pintada do Manual GRO/PGR ajuda a separar perigo de risco e ordenar a hierarquia de controles em eliminar, substituir e evitar.
Lucas Melo
Ortopedista, MD-PhD — CEO e co-fundador da Straloo
[2/7] Estudo guiado — Manual GRO/PGR | NR-1 2025
Tema: Perigo x Risco.
O manual usa uma onça-pintada para explicar. Achei perfeito.
Perigo é a onça. Tem potencial de causar dano independentemente de alguém estar exposto. Existe antes de qualquer contato.
Risco é você na frente da onça. É a combinação de dois fatores:
probabilidade de o dano ocorrer
severidade do dano, caso ocorra
A onça atrás do vidro = perigo existe, risco próximo de zero.
A onça solta, você a 3 metros = risco alto.
Mesma onça. Contexto diferente. Risco diferente.
Risco Ocupacional = Probabilidade × Severidade.
Essa distinção muda completamente a lógica de ação.
Antes da exposição, o alvo é o perigo. Três caminhos, em ordem de eficácia:
Eliminar — retire a onça do ambiente. O perigo deixa de existir. É sempre a primeira escolha quando viável.
Substituir — troque a onça por uma tartaruga. O perigo muda de natureza. Severidade cai drasticamente.
Evitar — não entre onde a onça está. O perigo permanece, mas você não se expõe. É temporário, não resolve.
Depois que a exposição existe, o alvo é o risco.
Reduza a probabilidade. Reduza a severidade. Aqui entram os controles de engenharia, administrativos e EPI.
Quando perigo e risco se confundem:
a empresa investe controles no lugar errado
o PGR vira inventário, não gestão