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O afastamento como caixa preta: falta visibilidade clínica

A jornada do colaborador afastado segue sendo caixa preta, sem visibilidade administrativa nem acompanhamento clínico estruturado durante o período de afastamento.

Lucas Melo

Ortopedista, MD-PhD — CEO e co-fundador da Straloo

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Hoje tive uma conversa que me fez pensar bastante.

Tive uma reunião com um dos médicos do trabalho que mais admiro no mercado. Experiente, técnico, à frente de um SESMT parceiro da Straloo que poucos no Brasil conseguem construir: ativo, estruturado, com atuação estratégica de verdade.

E mesmo assim, um problema real ficou na mesa.

A jornada do colaborador afastado ainda é uma caixa preta. Não por falta de competência. Por falta de visibilidade.

O que aconteceu na perícia? Foi deferido? Houve reconhecimento de nexo? Saiu B91 ou B31?

Essas informações existem no sistema do INSS. Mas acompanhá-las em tempo real, de forma estruturada, para cada caso, ainda é operacionalmente muito difícil.

E isso tem consequências diretas.

Quando a empresa não enxerga a jornada, ela perde a janela de atuação:

Não contesta nexo no prazo.

Não documenta o que seria necessário.

Não acompanha o caso clinicamente durante o afastamento.

E só descobre o impacto quando o FAP sobe no ano seguinte.

O que me chamou atenção foi isso: não é falta de vontade estratégica. É falta de instrumento para acompanhar.

E a pergunta que ficou comigo depois dessa reunião foi outra.

Além da visibilidade administrativa, será que conseguimos acompanhar essa jornada do ponto de vista clínico? Estar com o colaborador durante o afastamento. Não só como dado. Como cuidado.

Entender a evolução. Apoiar o retorno. Gerar rastreabilidade clínica nesse período que, hoje, costuma ser um ponto cego entre o SESMT e o plano de saúde.

Tenho hipóteses sobre o que falta. Mas quero muito ouvir quem já construiu isso na prática.

Para quem estruturou programas de gestão de saúde em empresas: como vocês lidam com essa fase? Conseguiram criar algum tipo de acompanhamento clínico durante o afastamento? O que funcionou?