Evidência clínica2 min de leitura

Caso real: o pacote estava perfeito. A indicação, não.

Artroscopia autorizada de forma automática em artrose de joelho mostra o que falta nos planos de saúde: uma camada de governança clínica sobre a indicação.

Lucas Melo

Ortopedista, MD-PhD — CEO e co-fundador da Straloo

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Caso real: o "pacote" estava perfeito. A indicação, não.

50 anos, artrose no joelho, artroscopia autorizada automaticamente.

Quando o caso chegou até nós, a cirurgia já estava marcada. Códigos corretos, materiais dentro do protocolo, autorização automática pelo plano de saúde.

Na avaliação: artrose inicial de joelho com lesão meniscal degenerativa, sem conflito mecânico. Sem nenhum tratamento conservador prévio. Nenhuma sessão de fisioterapia, nenhum protocolo de fortalecimento.

Isso acontece com frequência. E tem base técnica sólida para mudar.

O que a literatura diz sobre meniscectomia parcial artroscópica em lesões degenerativas:

Sihvonen et al. (NEJM, 2013): meniscectomia parcial não foi superior a cirurgia simulada em roturas meniscais degenerativas

Katz et al. (NEJM, 2013): meniscectomia não foi superior à fisioterapia em pacientes com rotura meniscal e osteoartrite

Sharma (NEJM, 2021): recomendação contra meniscectomia parcial artroscópica em quase todos os pacientes com osteoartrite, com exceção de bloqueio mecânico objetivo

Não estou dizendo que artroscopia não tem indicação. Tem, e em casos precisos faz diferença real. Esses casos de artrose em pacientes mais jovens são desafiadores!

Esse paciente está há quase dois meses no pós-operatório sem melhora clínica.

A minha principal provocação neste caso é que não basta só seguir o protocolo de autorização. Precisamos ter critérios clínicos bem definidos, não tratar só o laudo da ressonância.

O problema não foi o pacote. Foi a ausência de uma camada de governança clínica sobre a indicação.

Pacote correto não é o mesmo que indicação correta.