Saúde corporativa3 min de leitura

Qual é o ROI do programa de saúde corporativa?

Ferramenta de ROI do Public Health England mostra retornos de £10 a £226 por libra investida quando o modelo STarT Back estratifica risco para dor lombar.

Lucas Melo

Ortopedista, MD-PhD — CEO e co-fundador da Straloo

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"Qual o ROI do programa de saúde?"

É uma das perguntas que mais escuto em reuniões com RH, SESMT e diretores de operação.

E é uma boa pergunta. O problema é que é difícil responder com rigor técnico.

Tenho me aprofundado em metodologias publicadas na literatura para ter uma resposta mais sólida. Quero compartilhar uma que me chamou atenção.

Em 2017, o Public Health England comissionou o York Health Economics Consortium para desenvolver uma ferramenta de ROI para intervenções musculoesqueléticas. Nenhuma empresa privada envolvida. Base pública, metodologia aberta.

O estudo avaliou sete intervenções diferentes e calculou ROI em três camadas:

ROI financeiro (economia direta em saúde)

ROI social sem produtividade (inclui ganho de qualidade de vida)

ROI social com produtividade (inclui dias de trabalho recuperados)

Quero destacar uma das intervenções: o STarT Back.

É um modelo de estratificação de risco para dor lombar. Simples na essência: classificar o paciente em baixo, médio ou alto risco e direcionar para o cuidado proporcional a esse risco.

Baixo risco recebe orientação e autocuidado.

Médio e alto risco entram em trilhas de fisioterapia, com abordagem psicológica para os casos mais complexos.

Os resultados no estudo, para uma população de 1.000 pacientes:

ROI financeiro: £10,58 para cada £1 investido

ROI social (sem produtividade): £90,92 para cada £1 investido

ROI social (com produtividade): £226,23 para cada £1 investido

Média de 2,4 dias de trabalho recuperados por colaborador

Esses números mudam radicalmente quando você inclui produtividade no cálculo. Isso não é coincidência. É estrutural.

O que mais me interessa nesse modelo não é a tecnologia. É o processo.

Estratificação de risco, trilha de cuidado proporcional, acompanhamento por desfecho. Isso é gestão clínica com lógica de negócio.

Tecnologia é ferramenta para executar esse processo com escala e rastreabilidade. Mas sem o processo definido, a tecnologia não entrega nada.

A maioria das empresas ainda trata problema osteomuscular como evento isolado: colaborador com dor, encaminha para fisioterapia, espera melhorar.

Gestão osteomuscular estratégica é outra coisa. É saber onde estão os riscos antes do afastamento, direcionar recurso para quem mais precisa e medir o que muda.

Saúde corporativa que não consegue responder à pergunta do ROI não vai sobreviver à pressão dos próximos anos por eficiência e alocação inteligente de recursos.

Você tem estruturado a gestão de problemas osteomusculares na sua empresa?